sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Insegurança Alimentar é uma realidade ?


Para respondermos a essa pergunta, é primordial entender o que seria Segurança Alimentar e Nutricional (SAN). Sabe-se que a SAN é uma forma de garantir o acesso regular e permanente de alimentos, com qualidade e em quantidade suficiente. Além do mais, este acesso, não pode comprometer outras necessidades da população. Fica claro então, que no contexto na SAN, os alimentos devem ser promotores de saúde e considerar a diversidade cultural e sustentabilidade (social, ambiental e econômica) (FACCHINI, 2014).
            Apesar da segurança alimentar e nutricional ser um direito humano, ainda existe um grande número de pessoas em todo o mundo que passam fome. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (2017), depois de melhoras no número de pessoas com segurança alimentar, a fome está aumentando novamente, correspondendo a 38 milhões de pessoas.
Hoje viemos falar sobre a situação da segurança, ou melhor, insegurança alimentar e nutricional na Venezuela. Se você acompanha os noticiários, você já sabe que a Venezuela tem passado por uma dura crise econômica, principalmente de abastecimento de alimentos no país, por controle do ditador Nicolás Maduro.
Recentemente, tem sido publicado em diversos meios de comunicação reportagens relatando esse cenário venezuelano. Há meses, o país vem passando por uma grande escassez de alimentos que tem feito com que as filas de supermercado estivessem cada vez maiores e a quantidade de alimentos nas gôndulas cada vez menor, levando ao tumulto e á disputa na compra por alimentos, disputando a compra de alimentos. Como forma de eliminar o tumulto entre a população, o ditador Nicolás Maduro criou as cestas CLAP, que são uma espécie de cesta básica importadas do México, que devem ser compradas por cada família, sem que haja possibilidade de escolha de seu conteúdo. Geralmente, as caixas vem com farinha de milho (usada no preparo das tradicionais panquecas, as arepas), óleo, arroz, macarrão, leite em pó, feijão-preto, açúcar, farinha de trigo, ketchup, manteiga, café e atum e sardinha enlatados. Além da quantidade de alimentos ser pouca por um alto preço e para um longo tempo, não haver opções de escolha e muitas vezes os alimentos chegarem perdidos, as caixas ainda passam por um controle militar maior: apenas são vendidas àquelas pessoas que, em época de eleição, votarem nos candidatos preferidos pelo chefe de Estado. Do contrário, o conselho comunitário do bairro não vende as caixas aos seus moradores.
Muitas vezes, as caixas, que já foram pagas pela população, nem mesmo chegam. Uma situação comum observada no país são pessoas revirando latas de lixo para encontrarem alimentos e esperando o momento de passagem do caminhão de lixo nas portas dos fundos de padarias e restaurantes para que, ao abrirem as portas para jogar o lixo fora, consigam recolher restos de comida para se alimentarem.
Ao nos depararmos com uma situação como esta, percebemos o quão presente ainda é a insegurança alimentar e nutricional no mundo e em diferentes níveis. Mesmo após os avanços que tivemos em relação aos direitos humanos, ainda é possível encontrar populações que são privadas do acesso à alimentação em termos de qualidade e quantidade, como no caso dos venezuelanos, que ficam à mercê da ditadura militar e por isso dependem de doações de alimentos e de restos, não podendo sequer escolher o que vão comer para se alimentarem e nem mesmo possuem a garantia de que o alimento importado chegará em bom estado, ou se ao menos chegará.  

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Referências

FACCHINI, Luiz Augusto et al . Insegurança alimentar no Nordeste e Sul do Brasil: magnitude, fatores associados e padrões de renda per capita para redução das iniquidades. Cad. Saúde Pública,  Rio de Janeiro, v. 30, n. 1, p. 161-174, 2014.

O controle pela boca. Revista VEJA. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/revista-veja/o-controle-pela-boca/>. Acesso em: 29 set 2017.

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